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Festas Tradicionais



O ciclo das festas religiosas no concelho da Moita tem o seu início com os festejos em honra de S. José Operário (Baixa da Banheira – Julho). Estas festividades remontam aos anos 60 e estão associadas à criação da Paróquia de S. José Operário naquela vila, então centro operário, desde os finais dos anos 40.

As festas em honra de Nossa Senhora dos Anjos (Alhos Vedros – Julho) confundem as suas origens com uma lenda: “Nos primórdios da nacionalidade, em Dia de Ramos, estando os moradores do lugar de Alhos Vedros a celebrarem na Igreja, a referida cerimónia, com os ramos de palma bentos, foram subitamente surpreendidos por um exército de mouros que havia descido o castelo de Palmela com o intuito de saquear e cativar os cristãos. Não detendo grandes armas o povo saiu com os ramos de palma e invocando a proteção da Nossa Senhora dos Anjos, pelejaram com grande bravura, provocando um grande horror e confusão entre a moirama que para salvarem as suas vidas bateram em retirada para Palmela. Como pagamento da promessa e em ação de graças por essa vitória, o povo de Alhos Vedros passou a celebrar todos os anos, no Dia de Ramos, Nossa Senhora dos Anjos”.

Esta lenda parece relacionar-se com a grande ofensiva almóada do final do século XII. A aproximação dos exércitos de Almansor (emir almorávida que lançou, em 1190, uma ofensiva a partir de Marrocos, com o objetivo de recuperar as terras conquistadas por D. Afonso Henriques) ao castelo de Palmela levou a que parte da população daquele castelo fugisse, provavelmente, para as terras que hoje são Alhos Vedros, por estas oferecerem melhores condições naturais de defesa.

Interpretando esta lenda à luz dos atuais conhecimentos, sabemos que para o homem da Idade Média esta fuga e entrega do castelo não teria sido uma ação digna de ser recordada, pelo que houve necessidade de se criar uma narrativa lendária, revestida de uma simbiose de humano e sobrenatural, de forma a colmatar a dureza da realidade e a ocultar o resultado dos factos históricos.

No século XVI, a romaria de Nossa Senhora dos Anjos devia ser a mais importante da Margem Sul do estuário do Tejo. Quando, em 1521, foi criado o concelho do Barreiro, o rei D. Manuel determinou que os vizinhos do novo município contribuíssem para a procissão em honra da Senhora.
As festas em honra de Nossa Senhora do Rosário (Rosário – Agosto), Nossa Senhora da Graça (Sarilhos Pequenos – Setembro), Nossa Senhora da Boa Viagem (Moita – Setembro) têm como origem a devoção dos marítimos. Esta última festa é hoje a que tem maior projeção dentro do concelho, sendo uma das mais importantes do Sul do Estuário do Tejo. Remonta provavelmente à primeira metade do século XVII, sendo, nos nossos dias, uma síntese entre as festividades religiosas e profanas, marítimas e rurais. As celebrações religiosas e marítimas centram-se, sobretudo, no primeiro domingo das festas com a procissão, bênção das embarcações tradicionais.

O lado profano e rural tem na festa brava a principal manifestação, pois no decorrer das festividades realizam-se largadas e corridas de toiros.
Quanto à festa de Nossa Senhora da Atalainha (Barra Cheia – Outubro) parece remontar a 1850, derivando o seu nome da grande devoção a Nossa Senhora da Atalaia do Montijo. A festa realiza-se sempre no final da época das colheitas, período do ano em que os trabalhadores estão mais disponíveis para uns momentos de encontro com a história e a realidade local.

Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita, Câmara Municipal da Moita, 2004

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