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A Crise do Sistema Liberal e a Implementação da República



Autor: Teresa Rosa Gomes da Cruz Silva

Ano: 2002

Edição: Departamento de Acção Sociocultural / Câmara Municipal da Moita

Sinopse: Para assinalar os 90 anos da implantação da República em Portugal, a Câmara Municipal da Moita, através do Departamento de Acção Sociocultural, promoveu a realização de um seminário subordinado à temática. A iniciativa, em colaboração com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, teve crescente contributo com as palestras do Doutor João Bonifácio Serra, da Mestre Maria Alice Samara, da Professora Doutora Maria Cândida Proença e do Professor Doutor Fernando Rosas.

A ideologia republicana num contexto de crise do Liberalismo Monárquico Constitucional, a adoção, pela República, de um novo sistema político visando a criação de novos equilíbrios na distribuição do poder, a intelectualidade e o sistema educacional durante a 1ª república, bem como o posicionamento republicano perante a Grande Guerra de 1914-18, são abordagens que enquadram a revolução de 1910 e a consolidação do regime republicano.

A leitura destes artigos permitir-nos-á uma maior e mais clara compreensão sobre o fenómeno ideológico republicano em Portugal. Tendo como causa remota os ideais despoletados e disseminados pela Revolução Francesa de 1789, ampliados e cristalizados pela Maçonaria e Carbonária, tem a sua consubstanciação no crescente urbanismo e no descontentamento político e económico de uma massa de elementos ativos emergente, com aspirações a novas condutas políticas e económicas e tendências sociais mais justas e igualitárias. Estas fações burguesas, esclarecidas e liberais, colidem frontalmente com os obsoletos e autoritários interesses monárquicos e com os recursos políticos empregues na tentativa da sua sobrevivência.

Perante o esgotamento deste sistema político de governação, a implantação da República seria uma questão de tempo. Efetivamente, dois anos após uma tentativa falhada que resultou no regicídio, o ensejo republicano concretiza-se.

O Portugal atrasado estruturalmente e inculto (só cerca de 25 % da população sabia ler e escrever) revela, no entanto, nas áreas limítrofes dos principais centros urbanos, ainda que bastante ruralizadas, fações esclarecidas e disseminadoras, como o revela a ingerência republicana nas vereações de câmaras municipais (muitas a sul, algumas a norte). De facto, a importância do municipalismo republicano, principalmente a sul, era notória: ''As câmaras municipais que o Partido Republicano controlava em 1908 estavam todas a sul: Santarém. Lisboa, Almeirim, Benavente, Grândola, Lagos, Odemira, Santiago do Cacém, Cuba, Alcochete, Aldeia Galega e Moita (...)''

Os dinamismos locais, centrífugos, frequentemente difundem e consolidam a novidade. Certo é que muitos dos concelhos da margem sul do estuário do Tejo tinham, em 1910, uma considerável massa republicana e proclamaram a República a 4 de Outubro, antecipando em um dia a proclamação feita por José Relvas à varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

Referências incertas na Ata da Câmara Municipal da Moita da Sessão de 5 de Outubro, como ''a Câmara já era composta de Republicanos'', ''a população republicana do concelho'' e ''Processos crime a republicanos, em aberto no tribunal de Aldegalega'', remete-nos para questões ligadas ao fenómeno local merecedoras de análise, a que, em última instância, este trabalho deu o mote.

 

A Crise do Sistema Liberal e a Implementação da República

 

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