Natureza

O território do Concelho da Moita apresenta um clima que pode considerar-se como temperado, húmido e moderadamente chuvoso. Fazendo parte da bacia do Estuário do Tejo, constitui-se como uma das componentes de ligação entre o Tejo e a Arrábida.
Assim, podem distinguir-se na área do concelho três zonas naturais: as zonas húmidas, ribeirinhas (de cota até 10 metros ), as zonas húmidas dos vales interiores (de cotas de 10 a 25) e as zonas de encosta e planaltos (de cotas não inferiores a 40).

Morfologicamente o concelho constitui-se como que em anfiteatro em torno da depressão central representada pelo esteiro da Moita. Para além desta unidade paisagística central, é possível ainda distinguir duas unidades: uma onde se localiza Alhos Vedros e a Baixa da Banheira e outra em Sarilhos Pequenos.

Estas unidades paisagísticas estão intimamente relacionadas com o sistema de drenagem do território do Concelho da Moita, mas excedem largamente a área do Município. Trata-se da bacia central do Rio da Moita, cuja bacia hidrográfica se inicia na vertente norte da cadeia montanhosa da Serra da Arrábida e para além desta, duas pequenas bacias: a do Vale da Amoreira e a do Vale do Grou na zona poente do concelho.

Fonte: Retrato em Movimento do Concelho da Moita. Ed. CMM, 2002 

 

  • Fauna

    Aves

    No território do concelho, podem observar-se aves selvagens em diversos locais, mas sobretudo em determinadas áreas que proporcionam o habitat apropriado.

    A zona ribeirinha classificada como Reserva Ecológica Nacional é constituída na sua maior parte por antigas marinhas, sapais, caniçais, lodos e areias. Atualmente as marinhas não se encontram em funcionamento, excetuando um ou outro caso em que funcionam parcialmente, sem fins de exploração comercial. Estas áreas constituem um excelente habitat para a avifauna aquática do estuário, que aí encontra refúgio, alimentação e local para reprodução e nidificação. Durante todo o ano, mas sobretudo durante o Outono e Inverno, pode observar-se uma grande quantidade de aves na zona ribeirinha, muitas das quais são protegidas por Diretivas Europeias. Indicam-se algumas espécies que ocorrem na área do concelho e o tipo de locais onde é mais frequente encontrarem-se:

    • Perna-longa (Himantopus himantopus) – Sobretudo em antigas salinas.
    • Alfaiate (Recurvirostra avosetta) – Nas zonas de lodo entre-marés.
    • Flamingo-comum (Phoenicopterus roseus) – Nas antigas salinas e lodos entre-marés.
    • Garça-branca-pequena (Egretta garzetta) – Nos lodos, antigas salinas e sapais.
    • Garça-real (Ardea cinerea) – Nos sapais e zona entre-marés.
    • Pilrito-comum (Calidris alpina) e outros – Nos lodos e areias entre-marés.
    • Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa) – Nas antigas salinas e zona entre-marés.
    • Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) – Idem.
    • Corvo-marinho (Phalacrocorax carbo) – Nas ilhotas do estuário ou pontas de areia.
    • Guincho-comum (Larus ridibundus) – Nos lodos, areias e antigas salinas.
    • Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) – Nos lodos, areias e antigas salinas.
    • Gaivota-argêntea (Larus argentatus) – Nos lodos, areias e antigas salinas.
    • Pato-real (Anas platyrhynchos) – Em antigas salinas.
    • Galinha-de-água (Gallinula chloropus) – Em caniçais, lagoas ou charcos de água doce.
    • Galeirão-comum (Fulica atra) – Idem.

    Nos caniços e canaviais dos terrenos junto da zona ribeirinha encontram-se também outras espécies de aves, nomeadamente passeriformes como os pintassilgos (Carduelis carduelis), os rouxinóis dos caniços e felosas (Acrocepahus sp. e Locustella sp.), pintarrôxo-comum (Carduelis cannabina) e o guarda-rios-comum (Alcedo atthis).

    Nas zonas interiores, sobretudo nas zonas rurais com campos cultivados, sebes, ou em zonas de pinhal ou montado de sobro, podemos encontrar espécies como a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica), lugre (Carduelis spinus), tordo-comum (Turdus philomelos), calhandrinha-comum (Calandrella brachydactyla), picanço (Lanius sp.), petinhas (Anthus sp.), alvéolas (Motacilla sp.), verdilhão-comum (Carduelis chloris), estorninho-malhado (Sturnus vulgaris), tentilhão-comum (Fringilla coelebs), chamariz (Serinus serinus), trepadeira-comum (Certhia brachydactyla), trigueirão (Miliaria calandra), etc. A poupa (Upupa epops) é uma das aves mais bonitas que se pode encontrar em zonas arborizadas com clareiras e orlas de campos cultivados.

    Entre as aves de maior porte da zona rural, destaca-se a cegonha-branca (Ciconia ciconia) que pode ser vista frequentemente sobretudo nos Brejos e Barra Cheia e algumas aves de rapina, que podem ser vistas ocasionalmente: peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), o tartaranhão-ruivo-dos-paúis (Circus aeruginosus) e a coruja-das-torres (Tyto alba). A gralha-preta (Corvus corone) pode ocorrer em zonas florestais e campos cultivados adjacentes.

    Nos parques e jardins são comuns os melros-pretos (Turdus merula), pardal-comum (Passer domesticus), chapins (Parus sp.), etc. Nas zonas edificadas urbanas ocorrem também frequentemente a andorinha-dos-beirais (Delichon urbica) e os pombos domésticos (Columba livia).

     

    Outros recursos faunísticos

    Relativamente a outros recursos faunísticos da zona ribeirinha, são em geral comuns ao restante estuário do Tejo: nos lodos podemos encontrar invertebrados como a lambujinha (Scrobicularia plana), a minhoca-de-pesca (Hediste diversicolor), caranguejos (Carcinus sp.), entre muitos outros organismos, nomeadamente de reduzidas dimensões, que em conjunto com a microflora são de elevado valor para as cadeias tróficas do estuário.

    Quanto aos peixes, a sua entrada na baía do Montijo e esteiros da Moita e Alhos Vedros dependerá sobretudo do estado da maré, sendo mais comuns os seguintes, que também ocorrem no restante estuário: taínhas (Liza sp.), robalo (Dicentrarchus labrax), dourada (Sparus aurata), solha (Platichthys flesus), linguado (Solea sp.), enguia (Anguilla anguilla), biqueirão (Engraulis encrasicholus), congro (Conger conger), savelha, (Alosa fallax), entre outros.

    No que respeita a outro tipo de fauna selvagem, nomeadamente pequenos mamíferos, podemos encontrar espécies como o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), toupeira (Talpa europaea), lebre (Lepus europaeus), coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), rato-de-água (Arvicola sapidus), rato-do-campo (Apodemus sylvaticus), ratazana (Rattus norvegicus), rato-caseiro (Mus musculus), rato-das-hortas (Mus sxetus), doninha (Mustela nivalis) e morcegos.

    A existência da fauna selvagem depende da conservação do habitat, nomeadamente da existência de suporte florestal, matas ou outra vegetação. O progressivo desaparecimento do coberto vegetal que se tem verificado ao longo dos anos, origina perda e fragmentação do habitat, que a nível local ou regional pode comprometer a biodiversidade natural.

  • Flora

    Reflexo das características físicas referidas, a vegetação que assenta no território do Concelho, pode agrupar-se em três grandes conjuntos, de acordo com a situação ecológica em que ocorre:

     

    Zonas húmidas ribeirinhas

    Nas zonas húmidas ribeirinhas de sapais e salgados, onde as marés e os níveis de salinidade são determinantes, verifica-se a predominância de espécies adaptadas ao sal, chamadas halófitas. No “alto sapal”, mais longe da linha de água ou nos taludes das marinhas, domina a salgadeira (Atriplex halimus); mais abaixo surgem as gramatas Salicornea radicans, Sarcocornia sp., Suaeda vera e Halimione portucaloides e finalmente pode surgir, na zona que fica submersa na preia-mar, a Spartina maritima, designada popularmente por morraça. Nas zonas sob influência de água salobra e água doce, podem desenvolver-se caniçais (Phragmites sp.), cujas raízes contribuem para a remoção de poluentes de águas e solos. As canas (Arundo donax) crescem onde há abundância de água doce, desenvolvendo-se abundantemente perto de linhas de água e zonas marginais a estradas e terrenos.
    Tanto os sapais como os lodos postos a descoberto durante as marés baixas constituem importantes ecossistemas, quer para o fornecimento de alimentos para as aves, quer como esconderijo e local de reprodução para as diferentes espécies marinhas. Aliás, a importância dos sapais como habitat natural de uma avifauna específica que procura estas zonas nos seus percursos migratórios é atestada pela diversidade e abundância de espécies, particularmente no período de Inverno.

     

    Zonas húmidas interiores

    Nas zonas húmidas interiores, correspondentes às baixas dos vales, surgem como espécies arbóreas dominantes os freixos (Fraxinus angustifolia), salgueiros (Salix sp.), amieiros (Alnus glutinosa), choupos (Populus sp.) e como espécies arbustivas e herbáceas mais frequentes o sabugueiro (Sambucus nigra), os juncos (Juncus sp.), o loendro (Nerium oleander), o Litrum salicaria e as silvas (Rubus sp.).
    Nas zonas planálticas e de encosta, as formações dominantes são de pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e de sobreiro (Quercus suber), surgindo pontualmente grupos de pinheiro-manso (Pinus pinea), outrora muito abundante em toda a península de Setúbal. No coberto arbustivo, dominam espécies como as estevas (Cistus sp.), as urzes (Calluna sp.), os tojos (Ulex sp.), o rosmaninho (Lavandula sp.), o pilriteiro (Crataegus monogyna), o sanguinho (Rhamnus sp.), a aroeira (Pistacia lenticus) e as santolinas (Santolina sp., da família das margaridas).
    Apesar de não fazerem parte da flora local, destacam-se algumas árvores exóticas isoladas assinalando antigas quintas, sobretudo a palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis). Junto ao Palacete da Fonte da Prata, encontra-se uma tamareira (Phoenix dactylifera) de grande porte, árvore que se encontra classificada e é bem visível da estrada nacional.

  • Rede Natura 2000

    O Concelho da Moita tem uma área na Rede Natura 2000, mais concretamente uma Zona de proteção Especial, criada pelo Decreto-Lei nº 46/97 de 24 de Fevereiro, para ampliação da ZPE do Tejo e incluída na Lista de ZPE's aprovada pelo Dec.-Lei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro, que decorreu da chamada Diretiva Aves (Nº 79/409/CEE, de 2 de Abril). Essa área corresponde sensivelmente à Quinta do Esteiro Furado e zonas envolventes e os seus limites estão definidos através de coordenadas militares no Dec-Lei 46/97 de 24 de Fevereiro.

    A Diretiva Habitats (92/43/CEE) pretende criar a rede ecológica europeia denominada Natura 2000, de forma a assegurar a sobrevivência a longo prazo das espécies e habitats mais ameaçados da Europa, sendo constituída por ZEC (Zonas Especiais de Conservação) e integrando ZPE (Zonas de Proteção Especial).

  • Sítio das Marinhas - Centro de Interpretação Ambiental

    S_tioMarinhas-Salineiro_1_750_2500     S_tio_Marinhas-Visita_1_750_2500

    O Sítio das Marinhas, criado pelo Município a partir de uma antiga salina recuperada, funciona como Centro de Interpretação Ambiental, dispondo de uma exposição interior e de um circuito exterior com placas interpretativas do espaço, contendo indicações, gravuras e imagens acerca das marinhas no contexto da história e património locais e no âmbito do património natural do Estuário do Tejo.

    A zona ribeirinha do Concelho da Moita é maioritariamente classificada como Reserva Ecológica Nacional, sendo constituída na sua maior parte por antigas salinas, sapais, caniçais, lodos e areias. Atualmente as salinas, ou marinhas de sal não se encontram em funcionamento para extração de sal, exceto no Sítio das Marinhas e apenas com finalidade pedagógica. Estas áreas constituem um excelente habitat para a avifauna aquática do estuário, que aí encontra refúgio, alimentação e local para reprodução e/ou nidificação. Durante todo o ano, mas sobretudo durante o Outono e Inverno, pode observar-se uma grande quantidade de aves na zona ribeirinha, muitas das quais protegidas por Diretivas Europeias.

    No Sítio das Marinhas podemos observar com facilidade um conjunto interessante de espécies de aves, seja dentro dos reservatórios, na zona de lodo exterior, ou em antigas marinhas adjacentes; por exemplo:

    • Perna-longa (Himantopus himantopus)
    • Alfaiate (Recurvirostra avosetta)
    • Flamingo-comum (Phoenicopterus roseus)
    • Garça-branca-pequena (Egretta garzetta)
    • Garça-real (Ardea cinerea)
    • Pilrito-comum (Calidris alpina)
    • Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa)
    • Colhereiro (Platalea leucorodia)
    • Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus)
    • Corvo-marinho (Phalacrocorax carbo)
    • Guincho-comum (Larus ridibundus)
    • Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus)
    • Gaivota-argêntea (Larus argentatus)
    • Pato-real (Anas platyrhynchos)
    • Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
    • Galeirão-comum (Fulica atra)

     

    Macarico_1_750_2500_1   Stelzenl_ufer__Himantopus_himantopus___1_750_2500_2     alfaiate_1_750_2500_3   gar_a-branca_1_750_2500_4

     

    Consulte mais informação sobre o Sítio das Marinhas em: https://issuu.com/dirp.cmmoita/docs/s__tio_das_marinhas

    O Município disponibiliza apoio técnico na visitação de grupos organizados e de escolas mediante solicitação prévia.

     

    Morada:

    Estrada Municipal 506
    Gaio-Rosário, Moita
    GPS: N 38º39’38.983’’| O 8º 59’57.684’’

Município da Moita © 2015 | Todos os direitos reservados