Pândiga nasce do encontro com Farsa das Ciganas, de Gil Vicente, que, em 1521, deu notícia da chegada do povo cigano a Portugal. Cinco anos mais tarde, com a promulgação das primeiras leis repressivas por parte de D. João III, percebeu-se que a apresentação do espetáculo foi importante na construção de um imaginário que alimentou suspeitas, medos e exclusões.
Hoje, cinco séculos depois, as companhias UMCOLETIVO (Portugal) e ACTOS ÍNTIMOS (Espanha) regressam ao texto para o interrogar à luz dos 500 anos de vida que nos separam dele: quem vem de fora continua a sonhar com esta Europa antiga, lugar de sonhos e de possibilidades, mesmo quando muitos dos que aqui vivem deixaram de acreditar nela. Quem vem de fora, aproxima-se com o desejo radical e simples de partilhar a sua cultura ancestral — como quem abre uma laranja e distribui os gomos à volta da mesa, confiando que há lugar para todos.
Pândiga é a festa tardia e sincera que estamos a aprender com os ciganos: uma prática de encontro. Acontece no gesto de reescrita da farsa, que queremos transformar em celebração, por acreditarmos que se o teatro já serviu a fixação de fronteiras simbólicas, pode hoje tornar-se espaço de acolhimento, cidadania e reinvenção das comunidades.
Ficha artística e técnica:
Criação - Coletiva
Dramaturgia – Cátia Terrinca e Santi Senso, com Olga Mariano, a partir da obra “Farsa das Ciganas” de Gil Vicente e dos poemas de Olga Mariano
Direção artística – Cátia Terrinca e Santi Senso
Interpretação – Cátia Terrinca, Cheila Lima, Edla Barros, Guiomar Sousa, Ousmane Thiocone e Santi Senso
Direção Musical – Carlos Mil Homens
Interpretação Musical – Carlos Mil Homens, Diego el Gavi, Marian Yanchyk e Sina Shirazi
Apoio a Criação – Daniela Mendonça Cenografia – Bruno Caracol Figurinos – Raquel Pedro
Operação de Som – Sara Santos
Direção Técnica e Desenho de Luz – João P. Nunes
Mediação Cultural e Artística – Rui Salabarda com Ilda Ambrósio e Susana Silvério (através da parceria com o PNA - Plano Nacional das Artes)
Fotografia – João Versos Roldão
Produção – Flávio Catelli
Apoio – República Portuguesa - Direção Geral das Artes, Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira (AEBBVA), Agrupamento de Escolas da Manuel Ferreira Patrício (Évora), APEDI - Associação de Professores para a Educação Intercultural e PNA - Plano Nacional Artes
Coprodução – Teatro Nacional Dona Maria II, Município da Moita, IBERESCENA, Município de Elvas, Teatro Garcia de Resende e Festival Rascunho
Destinatários: Comunidade Educativa
Duração: 80 min.
Participação gratuita mediante convite
10:30H
Destinatários: Comunidade Educativa
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