Realiza-se no dia 2 de abril, pelas 14h30, o 3º Passeio Pedestre NaturalMoita, com início na Marginal da Moita, junto ao Centro Náutico Moitense.
Nesta terceira edição, os participantes percorrem um itinerário circular, com duração de duas horas e meia, com partida e chegada na Marginal da Moita, junto ao Centro Náutico Moitense, num percurso de cerca de sete quilómetros.
A promoção de atividade física na natureza e o fomento de hábitos de vida saudáveis são os objetivos deste projeto promovido pela Câmara Municipal da Moita.
Para participar neste passeio, dirigido à população em geral, é necessária inscrição, gratuita, através do email div.desporto@mail.cm-moita.pt, com a informação de nome completo, data de nascimento, número de identificação fiscal e número de contacto. Apenas são admitidos participantes a partir dos oito anos de idade.
Para mais informações sobre a atividade, contactar a Divisão de Desporto, através do mesmo endereço ou pelo T. 964 750 166.
Os participantes devem ter indumentaria confortável, chapéu de sol e água.
A atividade é realizada mediante as regras da Direção Geral de Saúde.
PERCURSO - Disponível para Descarregar
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1 – Moinho da Bela Vista - Situado no Alto da Moita, trata-se de um moinho de torre fixa, cilíndrica, construído em alvenaria de pedra e cal, constituído por piso térreo, sobrado e sótão. Estes dois últimos elementos constitutivos do moinho já não existem, mas podemos inferir pela existência das escadas, em pedra, de acesso aos espaços superiores. Tem duas portas e duas janelas. Não temos qualquer informação do ano da sua edificação, mas pelas características das cantarias, apontamos para uma construção do século XIX. Este moinho encontra-se decrépito e à mercê de constantes vandalismos.
2 – Capela de São Sebastião - A capela de São Sebastião foi fundada, provavelmente, nos finais da primeira metade do século XV, mas o edifício atual remonta ao século XVIII, altura em que foi intervencionado, devido ao terramoto de 1755, mantendo-se, contudo, as dimensões do primitivo edifício. Segundo a Visitação da Ordem de 1523, foram os moradores de Alhos Vedros e da Moita que construíram a referida ermida. No interior, na parede lateral norte da nave, encontra-se uma inscrição epigráfica, datada de 1453. Trata-se de uma laje votiva, gravada em caracteres góticos, referente à primeira sepultura aí feita e pertencente a Catarina Martins Moreira, filha de Martim Vasques Moreira, escudeiro de El-rei D. Duarte. O seu enterramento deu-se em 12 de julho de 1453 e faleceu vítima de “pestenença”.
3 – Travessa Alferes (Portal Manuelino) - Portal manuelino bastante simples, o único que chegou até hoje na construção civil. As cantarias de vão, manuelinas pelo recorte, em arco conopial, são alguns dos elementos que atestam a tipologia deste elemento que remonta aos séculos XV/XVI.
4 – Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem - Edificada em 1631, pelos moradores do lugar da Mouta. As razões então invocadas, para a sua construção, estavam relacionadas com a distância e o difícil acesso à Capela de S. Sebastião “esta lonje do lugar junto aos matos” por “caminhos de barrancos e entre vallados em muito perigo e endecencia”; bem como a necessidade de celebrar missa aos viajantes que iam e vinham “das muitas partes deste Reino dalem Tejo e de Castela”.
A construção da igreja foi orientada para poente, apresentando na sua fachada principal um portal rematado por um frontão triangular, ao gosto maneirista. É constituída por uma só nave, com o púlpito de pedra localizado no centro, um dos registos da construção do século XVII. Os painéis de azulejos, datados de 1719, revestem todas as paredes da nave, formando um interessante conjunto artístico. Cada painel narra uma cena da vida da virgem, tendo como separador uma moldura muito sóbria de folhas de acanto. Além dos azulejos, o barroco está patente na pintura do teto e no altar-mor em talha, segundo o estilo pós terramoto, sendo de destacar os elementos decorativos em dourado, delicadamente esculpidos, sobre fundo branco, conferindo ao espaço religioso, um ar palaciano. O teto da capela-mor encontra-se pintado com os símbolos da ladainha de Nossa Senhora: a rosa mítica, a torre de marfim, a arca da aliança, entre outros. Destaque também para o teto da nave com a usual cobertura de caixotões, decorados com pinturas de leves ornatos.
No interior do templo, a nave abre-se através de dois arcos para uma capela lateral, do lado direito, na qual exibe um altar de talha dourada do século XVIII, pós terramoto, com as imagens do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Pelas Informações Paroquiais de 1758, sabemos que esta capela juntamente com a capela-mor e a torre sineira ruíram, com o terramoto de 1755. Enquanto a capela-mor foi logo recuperada, com o contributo dos homens do mar e de algumas esmolas, a capela do Senhor dos Paços e a torre só foram reconstruídas em data posterior à elaboração das Informações Paroquiais, devido à falta de meios financeiros dos moradores.
5 – Altar da Nossa senhora da Piedade - O altar de Nossa Senhora da Piedade localiza-se no núcleo urbano antigo da vila da Moita, numa das travessas com o mesmo nome. É constituído por um painel de azulejos azuis e brancos, produzidos pela fábrica de Sant’Anna, em 1964. O painel apresenta-se assinado, no canto inferior direito, com o nome Ribeiro. A Nossa Senhora da Piedade está aqui representada com um manto, ricamente bordado, que lhe cobre todo o corpo, tendo na cabeça a coroa real. A figura da Senhora foi reproduzida sentada, segurando no seu colo, o corpo morto do seu filho Jesus. A gravura é rematada na base, por uma pequena flâmula branca, com as seguintes palavras: “Nª. Senhora da Piedade Rogai Por Nós – 1964”.
Efetivamente, trata-se de uma reprodução do painel original que, terá sido construído pelos moradores deste núcleo urbano, no século XVIII. Neste a Nossa Senhora apresentava-se sem coroa e com roupas singelas. A pessoa que cuidava deste nicho conservou esses azulejos que ainda foram mostrados ao António Gonzalez, mas com a morte da cuidadora, os azulejos estarão em parte incerta.
6 – Beco do Espanhol - No âmbito do projeto de obras de requalificação do espaço, sob a responsabilidade da Câmara Municipal da Moita e do arqueólogo Tiago do Pereiro, em 2007, foram realizadas três sondagens de diagnóstico que permitiram a observação do espaço.
O Beco do Espanhol, desconhece-se a origem deste topónimo, estende-se por um corredor orientado SO para NE que termina num pequeno pátio rodeado de casas antigas e com um poço no meio. Aqui, foram identificados vestígios de ocupação local que remonta ao século XV.
7 – Fornos da Cal da Quinta do Matão - Neste local temos as estruturas dos fornos de cal, sendo ainda possível observar as câmaras de combustão e as casas de apoio. As Informações Paroquiais da Moita, de 1758, dão-nos a informação de que os três fornos de cal aqui existentes, pertenciam ao Conde da Ribeira que, os tinha mandado construir depois do terramoto de 1755. Além dos fornos de cal, tinha também três fornos de telha.
As paredes foram construídas com blocos de pedra, revestidos por argamassa. As entradas para as antecâmaras dos fornos, apresentam um arco e uma abóbada construídos em tijolo. A localização destes fornos não é aleatória, instalados junto ao esteiro e ao Cais da Moita, conseguiam com facilidade escoar a cal ali produzida.
8 – Palacete da Fonte da Prata - O Palacete da Quinta da Fonte da Prata constitui um exemplar da arquitetura revivalista, uma vez que procura imitar as casas solarengas do século XVIII. Esta Casa foi projetada pelo arquiteto Guilherme Eduardo Gomes e construída em 1910. No andar térreo, temos os serviços indispensáveis, arrecadações e no primeiro andar, a habitação da família. Neste palacete temos paredes revestidas de azulejos, uma grande varanda que se abre para o exterior, uma escadaria interior trabalhada em madeira, a cantaria que envolve as janelas e portas decorada com uma ornamentação a imitar a "Manuelina" e ainda o emprego do estuque nos tetos de algumas das salas. No Palacete foi igualmente construída uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora de Lourdes.
9 – Cais da Moita - O cais da Moita sempre teve um papel primordial na vila da Moita, ao longo dos séculos. Toda a vida da vila gravitava em seu torno. Era daqui que eram feitos os embarques para a cidade de Lisboa, de pessoas e de mercadorias. As ligações regulares com a capital, converteu o Cais da Moita num importante nó de ligação, entre o sul do país e aquela metrópole. Pelo barco afluíam as mercadorias e assegurava-se a passagem de viajantes, provenientes de Castela, do Alentejo, Algarve “e mais terras da beira mar da parte do sul, que fazem tranzito por aquella villa.” Devido ao seu movimento diário, houve necessidade de substituir as suas antigas estruturas de madeira por pedra, no ano de 1722. A obra foi paga pelos donos dos barcos e das bateiras da vila e seu termo, bem como pelos seus arrais. Para assinalar este facto, foi colocada uma placa em pedra, numa das paredes da muralha, com a seguinte inscrição: «Em utilidade pública por arbítrio do Senado desta villa da Mouta acusta dos donos dos Barcos e dos navegantes delles teve princípio a 4 de Agosto de 1722 e findo a 5 de Fevereiro de 1723» Esta placa foi retirada e guardada, aquando da última intervenção que se realizou na caldeira e no cais. Entretanto, foi colocada na zona de entrada para o cais, uma similar, com a mesma inscrição.
No Retrato em Movimento temos a seguinte descrição tipológica do cais: «Em termos de tipologia, o cais apresenta-se como uma estrutura rudimentar, de planta rectangular, de linhas rígidas e formas robustas, mas funcional para a atracagem das embarcações, sendo edificado com grandes lajes de pedra, ao qual se tem acesso por uns degraus também de pedra.»



