Muitos naturais de Sarilhos Pequenos se lembram ainda dos pratos reconfortantes e nutritivos à base de castanhas, mal chegava o outono e até ao fim do inverno, cuja memória quase se perdeu no tempo.
Hoje em dia, poucos são os sarilhenses que continuam a utilizar a castanha na sua alimentação. Alguns recordam os cheiros fortes que invadiam as cozinhas e a sopa ou o arroz de castanhas confecionados pelas mães ou avós, nas casas mais humildes, mas desconhecem a sua origem. Berardo Silva, 79 anos, lembra-se de ir à Quinta do Castanheiro apanhar castanhas na época de abundância deste fruto. As que que não eram consumidas na ocasião, guardavam-se num local seco, descascadas, até ficarem “piladas”, aguardando em frascos de vidro a sua vez de entrar na panela. Outros recordam-se que, na altura própria, chegavam a casa sacas de castanhas vindas das Beiras (de onde são oriundos muitos habitantes do concelho da Moita). Ao contrário de hoje, antigamente a castanha era barata e muito usada pelas pessoas com menos recursos.
A Maré Cheia foi à procura das poucas famílias que ainda hoje revivem a tradição dos pratos antigos com castanhas. Eugénia Rodrigues, 79 anos, sarilhense, mostrou-nos como se faz uma “sopa própria para se comer no inverno”. As castanhas, essas, compra-as agora frescas no início da época, para secar e utilizar mais tarde.
Trata-se, nada mais, nada menos, de uma sopa de feijão com castanhas piladas: feijão manteiga seco, demolhado e cozido, azeite, água, arroz, castanhas piladas, sal, açúcar q.b., erva-doce e uma pitada de canela.
Que tal experimentar este prato de conforto num destes dias frios de janeiro?
Maré Cheia nº 194 - janeiro de 2021
