O Pátio do Rosário é um pequeno núcleo habitacional, onde as casas de cores coloridas foram dispostas em redor de um espaço central, possibilitando aos seus habitantes a sua utilização e o convívio social. Pelas suas características, tudo nos leva a crer que este pátio esteja na origem do núcleo urbano do Rosário e muito provavelmente, terá funcionado como centro residencial com as suas dependências, da antiga quinta agrícola de Martim Afonso. Esta quinta, economicamente vocacionada para a cultura da vinha e consequentemente para a produção de vinho, tinha o registo de dez moradores, no ano de 1532. Por esta mesma data, era seu proprietário, Cosmo Bernardes de Macedo, fidalgo da Casa Real e fundador da capela manuelina, o que nos leva a supor ter construído também aqui a sua residência, condigna ao seu estatuto.
No início do século XIX, José Gomes Claro teve a intenção de abrir uma estalagem e de criar uma carreira fluvial, no sítio do Rosário, mas mereceu o indeferimento do Senado da Câmara da Moita, alegando que seria propício aos descaminhos dos direitos do rei e a negócios ilícitos, acrescentando que seria um porto franco “para tranzitarem por elle os facinorozos e malevolos à sua vontade”.
Terá existido no Rosário uma cruz ou cruzeiro, cujo socalco foi desmontado pelo José Gomes Claro, substituindo-o por barro, para lhe retirar a pedra e utilizá-la nos edifícios que tinha erguido e consertado no dito lugar. Esta memória apenas está registada na documentação, pelo que não há hoje vestígios deste cruzeiro. A falta de pedra para reparar os edifícios, levou José Gomes Claro a aproveitar tudo o que encontrou no lugar, além da cruz, foi igualmente acusado de ter desmantelado o curro de pedra que os devotos de Nossa Senhora do Rosário tinham montado no arraial em honra da mesma senhora, para dentro dele correr touros. O mesmo documento refere que o Rosário tinha nesta data, 1809, entre doze a quinze fogos e era uma povoação, na sua maioria, constituída por trabalhadores, cuja existência se devia a uma fábrica de sola, estabelecida há muitos anos naquele lugar, bem como aos fazendeiros, possuidores de terras e constantemente necessitados de mão-de-obra para os trabalhos agrícolas.
Em relação ao pátio é ainda possível observar a existência de um pequeno "nicho", junto ao campanário no muro, ficando a dúvida da sua função específica. Contudo e dado tratar-se de uma quinta agrícola, pensamos que se tratasse de um campanário com o sino do trabalho, manobrado por uma corda, puxada à mão, para marcar o início dos ritmos de trabalho no campo.
No ano de 2000, aquando das obras de recuperação do pátio, realizou-se uma sondagem arqueológica junto a uma das paredes da casa de primeiro andar, situada ao fundo do pátio e considerada como principal deste conjunto. Esta sondagem pôs a descoberto vários materiais, entre os quais, fragmentos de cerâmica de paredes finas do século XVI e faianças do século XVII, o que vem confirmar a ocupação residencial do pátio.
Carta do Património do Concelho da Moita, 2018, pp.332-333
Rosário
