Realiza-se no dia 19 de março, pelas 14h30, o 2º Passeio Pedestre NaturalMoita, com início no Cais do Descarregador.
Nesta segunda edição, os participantes percorrem um itinerário circular, com duração de duas horas e meia, com partida e chegada ao Cais do Descarregador, num percurso de cerca de oito quilómetros.
A promoção de atividade física na natureza e o fomento de hábitos de vida saudáveis são os objetivos deste projeto promovido pela Câmara Municipal da Moita.
Para participar neste passeio, dirigido à população em geral, é necessária inscrição, gratuita, através do email div.desporto@mail.cm-moita.pt, com a informação de nome completo, data de nascimento, número de identificação fiscal e número de contacto. Apenas são admitidos participantes a partir dos oito anos de idade.
Para mais informações sobre a atividade, contactar a Divisão de Desporto, através do mesmo endereço ou pelo T. 964 750 166.
Os participantes devem ter indumentaria confortável, chapéu de sol e água.
A atividade é realizada mediante as regras da Direção Geral de Saúde.
PERCURSO - Documento disponível para Descarregar
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1 – Cais de Alhos Vedros - As referências documentais mais antigas do Cais de Alhos Vedros remetem-nos para o século XV. Terá sido na sua origem, um cais de madeira, tipo palafítico, construído provavelmente em outro local do esteiro, para desempenhar a função portuária. À semelhança de outros portos fluviais, encontra-se integrado no contexto estuarino do Tejo, sendo a cidade de Lisboa o centro de gravitação de toda a atividade económica desta margem.
2 – Zona de Observação de Aves – Zona onde podemos espreitar as salinas onde é frequente encontramos grande abundância de avifauna, destacando-se em particular a presença de grandes bandos de flamingos.
3 – Moinho de Maré Ou Moinho Novo - Neste local podemos encontrar um moinho de maré, denominado "Moinho Novo" e referenciado na documentação como tendo cinco pedras. Constituía um dos bens do Morgado da Casa da Cova, aparecendo, muitas vezes, associado ao Moinho da Azenha, nas escrituras de arrendamento, ao longo do século XVII, o que nos leva a supor ter sido edificado no século anterior. Aliás, estas estruturas foram sendo erguidas, ao longo da orla fluvial, entre os séculos XV e XVI, no período da expansão portuguesa, com vista a garantir o abastecimento de farinhas aos Fornos Reais de Vale de Zebro.
4 – Zona de cultivo, estufas e pastagem – Zona de campos e estufas de cultivo e zona de pastagem de cavalos.
5 – Zona de Observação de Biodiversidade local – Local mais verdejante de todo o circuito, deparamo-nos com um belo cenário campestre, onde é comum pastarem bois e vacas, dividido por uma linha de água, ladeada por um frondoso renque de choupos, que assim forma uma zona ripícola relativamente bem preservada. É aqui que podemos encontrar uma biodiversidade muito interessante, que inclui o próprio gado bovino, mas também o coelho-bravo, observável junto às silvas e canaviais, e sobretudo uma esplêndida variedade de aves. Para isso concorre a presença de charcas, sobretudo na primavera, a existência da linha de água referida e também a proximidade das salinas. São abundantes o pato-real, a galinha-de-água, o galeirão, a pega-rabuda, o estorninho-preto, o tordo e o melro, entre outros. Porém, a ave que mais se destaca pelo seu aspeto exótico é sem dúvida a íbis-preta. Os adultos têm corpos castanho-avermelhados e asas verde-preto iridescente, sempre muito escuro, dando a ideia de uma ave negra. É uma ave migradora e até à década de 1990 a espécie era muito rara em Portugal.
6 – Poço da Quinta da Xarroqueira – Poço de tipologia simples, construído em tijolo e coberto por uma argamassa de cor acinzentada.
7 – Bosque de Sobreiros e Pinheiros – O sobreiro, árvore protegida em Portugal, fornece não apenas cortiça e bolotas, mas é também habitat para aves diversas, de onde destacamos, neste bosquete, o gaio, a rola, o corvo, mochos, corujas, e o peneireiro, pequeno falcão facilmente reconhecível pela sua capacidade de pairar enquanto procura as suas presas nos campos em redor. O chamamento dos abelharucos que habitam nas orlas do terreno confere uma musicalidade especial ao local, na primavera e no verão.
8 – Espaço FAVO – Fabrica de Artes Visuais e Oficinas – Local reservado a projetos culturais e artísticos.
9 – Ornatos da Rua António da Silveira – Implantado na esquina da Rua António Silveira com a Travessa do Mercado, em Alhos Vedros, temos um Portão de uma antiga quinta senhorial que se destaca pela imponência dos seus elementos arquitetónicos. É uma entrada magnífica, definida superiormente por um remate de ornatos espiralados num jogo de formas contracurvas, intervalados por quatro pináculos em pedra, de forma piramidal, no remate das pilastras.
10 – Igreja da Santa da Misericórdia de Alhos Vedros – A Igreja da Santa Casa da Misericórdia, agregada ao antigo Hospital de Alhos Vedros, é de origem quinhentista, foi erguida no local de uma antiga ermida dedicada ao Espírito Santo e referida, situada na praça da vila, supõe-se que a Igreja da Misericórdia tenha sido construída em 1587.
11 – Pelourinho de Alhos Vedros - O Pelourinho de Alhos Vedros é um monumento manuelino, do século XVI, que se enquadra na ação política da Reforma dos Forais, empreendida pelo rei D. Manuel I. Surge na sequência da atribuição do Foral à vila de Alhos Vedros, no ano de 1514. Fortemente imbuído de significado político, o pelourinho simboliza o poder municipal e assume-se como instrumento de propaganda régia, através dos emblemas nele inscritos, como é o caso da esfera armilar.
12 – Igreja Matiz de São Lourenço – Igreja Matriz de São Lourenço, igreja de nave única com cinco capelas laterais e uma capela-mor. A sua fundação remonta aos finais do século XIII. Ao longo dos séculos foi sofrendo alterações, remodelações, de que resultou um conjunto estilístico heterogéneo. A fachada da igreja, orientada para poente, recebeu um portal tardo-renascentista, em 1602, o interior da nave apresenta azulejos datados de 1749, onde podemos observar passagens de São Lourenço.
13 – Parque das Salinas - Ocupa uma área de 5 ha, situa-se num espaço onde outrora existiram antigas marinhas de sal, oferecendo equipamentos desportivos e de lazer.
14 – Palacete do Morgado da Casa da Cova - Palacete do Morgado da Casa da Cova, não sendo possível confirmar com total exatidão a data da sua construção, o edifício apresenta características arquitetónicas enquadráveis no século XVIII, ou seja, uma planta retangular, com dois andares, volume simples com cobertura de quatro águas e uma escada exterior que conduz a uma «loggia». As suas janelas e portas são compostas por cantarias em pedra, sem elementos decorativos. Na fachada principal, as janelas do primeiro andar abrem-se para varandas em ferro forjado. Associado a este conjunto, podemos ainda destacar o pórtico em mármore que se encontra adossado à parede da fábrica «Guston» e que provavelmente daria acesso ao jardim da mansão.
15 – Moinho de Maré da Azenha - O Moinho de Maré da Azenha, situado no cais da vila de Alhos Vedros, foi construído na primeira metade do século XV, por Pero Vicente, na sequência de uma carta de sesmaria, concedida pelo Infante D. João, Mestre da Ordem de Santiago, a 13 de fevereiro de 1435. Esta carta dá-lhe a posse de um chão e sapal para construir uma azenha, no período de oito anos e na condição de pagar à Ordem, o dízimo de todo o pão que viesse a produzir. Com a instituição do Morgado da Casa da Cova, no século XVI, o Moinho da Azenha passou a integrar o conjunto dos bens do Morgadio, tal como é referido nas escrituras de arrendamento. Em 1986, foi adquirido pela Câmara da Moita, com a intenção de se proceder à sua recuperação. Este propósito foi concretizado, entre os anos 2006 e 2007, quando foi alvo de um projeto de reabilitação do imóvel que o converteu num espaço cultural polivalente. No âmbito desta intervenção, da responsabilidade técnica dos Monumentos Nacionais e acompanhada por António Gonzalez e Tiago do Pereiro, foi encontrado no espaço de entrada do moinho, na fase da picagem do chão, uma cavidade, correspondente a um antigo pejadouro e direcionada numa posição diferente aos pejadouros existentes. Este registo levou-nos logo a crer que fazia parte da construção primitiva do moinho, anterior à atual, agora confirmada pela documentação quatrocentista. A cavidade encontrava-se entulhada com restos de materiais arqueológicos, de diferentes períodos cronológicos, dos quais destacamos, restos de duas cruzes de pedra calcária, faianças do século XVII, restos de cerâmica comum e outros fragmentos cerâmicos. O relógio de sol, presentemente, exposto no moinho, foi encontrado no lodo, defronte da saída de um dos arcos, numa outra intervenção que ocorreu, no ano de 1992. Supomos que este relógio, com a data de 1596, terá feito parte da casa quinhentista, referida no ponto anterior, mas devido ao seu estado de ruína no século XVIII, as suas pedras poderão ter sido reutilizadas na consolidação da estrutura do moinho.
