A arte da produção de velas para embarcações começou com o seu avô que foi marinheiro na marinha de guerra, abrindo mais tarde uma casa de velas no Gaio, já lá vão cem anos. Aprendeu com o tio e o pai, e com apenas sete anos já ajudava a coser as velas. Entretanto, a introdução de máquinas de costura tornou o processo mais rápido, embora seja sempre necessário coser manualmente o cabo em volta da vela.
A diminuição do número de embarcações ditou paulatinamente o declínio da atividade, sendo atualmente a cosedura artesanal de velas uma prática em vias de desaparecer. Não fossem ainda algumas embarcações tradicionais que subsistem, o saber e técnica ancestral que detém estariam votados ao esquecimento, como acontecerá quando deixar de coser. O manuseamento de peças únicas como o “repuxo”, espécie de dedal colocado na palma da mão para coser as velas, assenta num saber próprio que configura uma arte de dedilhar com precisão e rapidez, que só um artesão experiente consegue dominar.
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